Na fila que me parecia quase um século, minha atenção foi subitamente arrebatada por aquela figura entrando pela porta estreita da única casa lotérica da praia.
Autor: Fernanda de Aquino
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Pensando na aceleração em que vivemos no mês de Dezembro, estou postando vídeos, textos leves e bem humorados esse é um, que eu já havia publicado em fevereiro desse ano. Os comentários vieram juntos, logo quem já comentou, pode comentar novamente, quem sabe a "leitura" seja outra...
Pensando na aceleração em que vivemos no mês de Dezembro, estou postando vídeos, textos leves e bem humorados esse é um, que eu já havia publicado em fevereiro desse ano. Os comentários vieram juntos, logo quem já comentou, pode comentar novamente, quem sabe a "leitura" seja outra...
Minha amiga Sylvia fez 50 anos e deu uma linda festa para os amigos.- Por quê? Acha que ainda escondo a minha idade? Já superei isso, meu caro.
- No seu caso não é esconder - continuou Zé Mário.
- Pra que declarar, se você aparenta menos?
- Mas é justamente por isso que sinto tanto prazer em revelar minha verdadeira idade. É para ver as pessoas admiradas. Meus 50 anos não são um peso, mas um prêmio, um troféu, uma tocha olímpica que carrego com orgulho pela vida afora. Que é que você pensa? Sou uma cinqüentona e ainda bato um bolão!
E, nesse clima de feliz comemoração, varamos a noite, o champanhe gelado, o vinho rubro. E não é preciso dizer que a aniversariante reinou o tempo todo, dançando sem parar, nocauteando homens até dez anos mais novos do que ela. Como o seu próprio marido, o terceiro, que no sábado próximo estará completando 41 anos.
Sei que nem todas as mulheres são Sylvia. E que, para ser como ela, é preciso muita vontade, algum sacrifício e uma boa dose de herança genética. Mas o mais necessário mesmo é a disposição para a felicidade e a certeza de que sempre, sempre estará em tempo de viver uma vida produtiva. De qualquer maneira, mesmo as que não são Sylvia se sentem hoje mais livres do que nunca desse estigma que por décadas marcou todas elas e produziu um repertório imenso de piadas infames e cruéis: diminuir a idade. Concluí que hoje em dia as mulheres de 50 não têm mais do que 30! Verdade. Muitas das minhas amigas já passaram dessa marca e nunca se sentiram tão bem.
Em 1980 escrevi alguns programas da série Malu Mulher para Regina Duarte. Num deles, Malu comemorava 33 anos. Dei a esse episódio o título Antes dos 40, depois dos 30, colocando esse período de dez anos como o mais positivo na vida de uma mulher. Seu tempo de felicidade. Bem, isso foi em 1980. Vinte e cinco anos atrás. Hoje eu não escreveria essa história. Hoje sei que uma mulher pode ser feliz para sempre, levantando-se a cada tombo. Em sua maioria, elas já não entram em crise por causa da idade. Claro que não querem envelhecer.
Ninguém quer. Mas esse não querer não está ligado apenas à aparência, mas à saúde, à boa disposição para enfrentar o dia e... - sem nenhuma dúvida - à certeza de que não existe idade que as impeçam de amar, ser amadas. E de ainda fazer bonito entre os lençóis de uma cama. Sylvia, por exemplo, tem tudo para botar um garotão com a língua de fora, sôfrego, cansado, pedindo um tempo.
Eu me lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que, quando foi subitamente abandonada pelo marido, provocou em minha mãe esta frase: "Pobre Dolores! Sozinha aos 50 anos! O que vai ser dela agora?". A consternação da minha mãe traduzia o que se pensava de uma mulher que tivesse ultrapassado a marca dos 25, 30 anos no máximo. Uma velha. Não sei o que aconteceu com a pobre Dolores, mas acredito que tenha arrastado por toda a vida a amargura e a desesperança. Atualmente, uma separação aos 50 anos pode ser o começo de um novo tempo, muitas vezes melhor, mais feliz do que o anterior. Sem contar que, nos dias de hoje, um casamento que vai mal das pernas não dura até a mulher chegar aos 50. Acaba antes, já que elas não carregam uma vida infeliz por muito tempo.
Nas minhas novelas procuro retratar as mulheres maduras, essas que já passaram dos 40. São elas que têm as melhores histórias para contar, as confissões mais tocantes, as lembranças mais ternas, os episódios mais picantes. Que ainda sofrem e choram, sim, mas que não sofrem nem choram para sempre. E que, quando fazem 50 anos, dão festa, convidam os amigos, apagam as velinhas e fazem coro em causa própria, cantando o Parabéns pra Você!
Por isso digo e repito: bem-aventuradas as cinqüentonas! As que se renovam a cada dia, a cada instante, e que podem renascer incessante e indefinidamente, repetindo os versos de Cecília Meireles:
"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".
Imagem: Google
LONGEVIDADE
Minha amiga Sylvia fez 50 anos e deu uma linda festa para os amigos.- Por quê? Acha que ainda escondo a minha idade? Já superei isso, meu caro.
- No seu caso não é esconder - continuou Zé Mário.
- Pra que declarar, se você aparenta menos?
- Mas é justamente por isso que sinto tanto prazer em revelar minha verdadeira idade. É para ver as pessoas admiradas. Meus 50 anos não são um peso, mas um prêmio, um troféu, uma tocha olímpica que carrego com orgulho pela vida afora. Que é que você pensa? Sou uma cinqüentona e ainda bato um bolão!
E, nesse clima de feliz comemoração, varamos a noite, o champanhe gelado, o vinho rubro. E não é preciso dizer que a aniversariante reinou o tempo todo, dançando sem parar, nocauteando homens até dez anos mais novos do que ela. Como o seu próprio marido, o terceiro, que no sábado próximo estará completando 41 anos.
Sei que nem todas as mulheres são Sylvia. E que, para ser como ela, é preciso muita vontade, algum sacrifício e uma boa dose de herança genética. Mas o mais necessário mesmo é a disposição para a felicidade e a certeza de que sempre, sempre estará em tempo de viver uma vida produtiva. De qualquer maneira, mesmo as que não são Sylvia se sentem hoje mais livres do que nunca desse estigma que por décadas marcou todas elas e produziu um repertório imenso de piadas infames e cruéis: diminuir a idade. Concluí que hoje em dia as mulheres de 50 não têm mais do que 30! Verdade. Muitas das minhas amigas já passaram dessa marca e nunca se sentiram tão bem.
Em 1980 escrevi alguns programas da série Malu Mulher para Regina Duarte. Num deles, Malu comemorava 33 anos. Dei a esse episódio o título Antes dos 40, depois dos 30, colocando esse período de dez anos como o mais positivo na vida de uma mulher. Seu tempo de felicidade. Bem, isso foi em 1980. Vinte e cinco anos atrás. Hoje eu não escreveria essa história. Hoje sei que uma mulher pode ser feliz para sempre, levantando-se a cada tombo. Em sua maioria, elas já não entram em crise por causa da idade. Claro que não querem envelhecer.
Ninguém quer. Mas esse não querer não está ligado apenas à aparência, mas à saúde, à boa disposição para enfrentar o dia e... - sem nenhuma dúvida - à certeza de que não existe idade que as impeçam de amar, ser amadas. E de ainda fazer bonito entre os lençóis de uma cama. Sylvia, por exemplo, tem tudo para botar um garotão com a língua de fora, sôfrego, cansado, pedindo um tempo.
Eu me lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que, quando foi subitamente abandonada pelo marido, provocou em minha mãe esta frase: "Pobre Dolores! Sozinha aos 50 anos! O que vai ser dela agora?". A consternação da minha mãe traduzia o que se pensava de uma mulher que tivesse ultrapassado a marca dos 25, 30 anos no máximo. Uma velha. Não sei o que aconteceu com a pobre Dolores, mas acredito que tenha arrastado por toda a vida a amargura e a desesperança. Atualmente, uma separação aos 50 anos pode ser o começo de um novo tempo, muitas vezes melhor, mais feliz do que o anterior. Sem contar que, nos dias de hoje, um casamento que vai mal das pernas não dura até a mulher chegar aos 50. Acaba antes, já que elas não carregam uma vida infeliz por muito tempo.
Nas minhas novelas procuro retratar as mulheres maduras, essas que já passaram dos 40. São elas que têm as melhores histórias para contar, as confissões mais tocantes, as lembranças mais ternas, os episódios mais picantes. Que ainda sofrem e choram, sim, mas que não sofrem nem choram para sempre. E que, quando fazem 50 anos, dão festa, convidam os amigos, apagam as velinhas e fazem coro em causa própria, cantando o Parabéns pra Você!
Por isso digo e repito: bem-aventuradas as cinqüentonas! As que se renovam a cada dia, a cada instante, e que podem renascer incessante e indefinidamente, repetindo os versos de Cecília Meireles:
"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".
Imagem: Google
LONGEVIDADE
DR
Rosa Pena
Querido filho Tavinho.
Hoje você completa trinta e um anos! Ula lá!
Lembrei de uma música.”Não confie em ninguém com mais de trinta”. Será que agora em nossa DR (discussão de relação) também vai pairar desconfiança? Que santa Menopausa não permita.
Deixei seus presentes e essa cartinha com todo o meu carinho.
Coloquei também algumas besteirinhas escondidas pelo seu quarto. Tente achá-las como fazia com os ovinhos da páscoa. Ah! Quanto aos seus presentes que estão no sofá, espero que goste deles, pois comprei da mesma forma com que você comprou os meus no dia das mães. Com todo afeto e como você bem disse:
— A gente tem que dar algo que realmente combine com quem vai receber.
Espero que faça uma boa leitura do livro “Adolescentes rebeldes”, assim como estou fazendo do que ganhei de você: “Saúde na Terceira Idade".
Também tive o cuidado de comprar um pijama bem solto, para não apertar seus documentos, você sempre teve horror de fraldas apertadas. Ah! A cinta que me deu das lojas “Marisa” ainda não usei, mas entendi a sua escolha recair no manequim 48. Mulheres de mais de cinqüenta, ainda que magras, sempre serão obesas... Né? Estou guardando para quando você for independente e quem sabe finalmente se casar com a Marilú. Rogo ao bom Deus que se casado você não se separe e volte para casa. Agora os casamentos não duram, pois todo mundo descobriu que é só voltar pra casa da mãe, sendo ela ou não Joana. Torço para que sua esposa sempre faça para você a sua vitamina de mamão, acerola, laranja, kiwi, colocando apenas açúcar mascavo. Por sinal a dita está pronta no liquidificador. Lembre-se, pelo menos uma vez na vida, de deixar o copo com um pouquinho de água no fundo, senão depois para lavar é uma merda.
Tive que sair para cortar os cabelos no salão Paraíso. Padeço lá na espera, mas toda mãe que se preza sempre padeceu! Fiquei anos sem poder freqüentar cabeleireiros para pagar uma psicóloga e criar você sem traumas. Acho que você não tem praticamente nenhum, exceto o de ver TV deitado no sofá da sala o dia todo. Será que sem querer passei pra você algum transtorno de divã?
Às vezes até me arrependo de não tê-lo colocado na escola de circo. Afinal acrobacia com bolas no sinal é um trabalho! Mas fazer o quê? Agora Inês, minha psicanalista, é morta e você formado em oceanografia pela Universidade da Cidade Virtual. Pena que se formou só para continuar a surfar. Nunca quis saber de peixes, exceto do Godofredo que vive no aquário, aliás, eu já dei comida pra ele, senão o bichinho morre. Mães! Mas as mães não devem interferir nas escolhas. Todo cuidado é pouco com o emocional de um filho.
Despeço-me com assobios de parabéns, parabéns, hoje é o seu dia, que dia mais feliz. É a música da Xuxa. E dessa “com quem será, com quem será, com quem será que o Tavinho vai casar”, recorda?
Beijos da mamãe
Cacilda.
P.S. Seus cachorros já levei para passear, senão eles cagavam na sala. Lembre-se de que hoje, quando for para a terapia, não deve e nem pode colocar culpas de maneira alguma em mim, mas sim em outra ancestral (de sua bisavó para trás), pois eu já culpei a minha mãe e ela a dela. Não sei o nome de sua tataravó, mas acredito que seja ela a responsável por você ser oceanógrafo desempregado, surfista aposentado e dependente de mim. Te amo!
Obs: Os personagens são imaginários
Obra completa de rosa pena.Clique em:
DR
Rosa Pena
Querido filho Tavinho.
Hoje você completa trinta e um anos! Ula lá!
Lembrei de uma música.”Não confie em ninguém com mais de trinta”. Será que agora em nossa DR (discussão de relação) também vai pairar desconfiança? Que santa Menopausa não permita.
Deixei seus presentes e essa cartinha com todo o meu carinho.
Coloquei também algumas besteirinhas escondidas pelo seu quarto. Tente achá-las como fazia com os ovinhos da páscoa. Ah! Quanto aos seus presentes que estão no sofá, espero que goste deles, pois comprei da mesma forma com que você comprou os meus no dia das mães. Com todo afeto e como você bem disse:
— A gente tem que dar algo que realmente combine com quem vai receber.
Espero que faça uma boa leitura do livro “Adolescentes rebeldes”, assim como estou fazendo do que ganhei de você: “Saúde na Terceira Idade".
Também tive o cuidado de comprar um pijama bem solto, para não apertar seus documentos, você sempre teve horror de fraldas apertadas. Ah! A cinta que me deu das lojas “Marisa” ainda não usei, mas entendi a sua escolha recair no manequim 48. Mulheres de mais de cinqüenta, ainda que magras, sempre serão obesas... Né? Estou guardando para quando você for independente e quem sabe finalmente se casar com a Marilú. Rogo ao bom Deus que se casado você não se separe e volte para casa. Agora os casamentos não duram, pois todo mundo descobriu que é só voltar pra casa da mãe, sendo ela ou não Joana. Torço para que sua esposa sempre faça para você a sua vitamina de mamão, acerola, laranja, kiwi, colocando apenas açúcar mascavo. Por sinal a dita está pronta no liquidificador. Lembre-se, pelo menos uma vez na vida, de deixar o copo com um pouquinho de água no fundo, senão depois para lavar é uma merda.
Tive que sair para cortar os cabelos no salão Paraíso. Padeço lá na espera, mas toda mãe que se preza sempre padeceu! Fiquei anos sem poder freqüentar cabeleireiros para pagar uma psicóloga e criar você sem traumas. Acho que você não tem praticamente nenhum, exceto o de ver TV deitado no sofá da sala o dia todo. Será que sem querer passei pra você algum transtorno de divã?
Às vezes até me arrependo de não tê-lo colocado na escola de circo. Afinal acrobacia com bolas no sinal é um trabalho! Mas fazer o quê? Agora Inês, minha psicanalista, é morta e você formado em oceanografia pela Universidade da Cidade Virtual. Pena que se formou só para continuar a surfar. Nunca quis saber de peixes, exceto do Godofredo que vive no aquário, aliás, eu já dei comida pra ele, senão o bichinho morre. Mães! Mas as mães não devem interferir nas escolhas. Todo cuidado é pouco com o emocional de um filho.
Despeço-me com assobios de parabéns, parabéns, hoje é o seu dia, que dia mais feliz. É a música da Xuxa. E dessa “com quem será, com quem será, com quem será que o Tavinho vai casar”, recorda?
Beijos da mamãe
Cacilda.
P.S. Seus cachorros já levei para passear, senão eles cagavam na sala. Lembre-se de que hoje, quando for para a terapia, não deve e nem pode colocar culpas de maneira alguma em mim, mas sim em outra ancestral (de sua bisavó para trás), pois eu já culpei a minha mãe e ela a dela. Não sei o nome de sua tataravó, mas acredito que seja ela a responsável por você ser oceanógrafo desempregado, surfista aposentado e dependente de mim. Te amo!
Obs: Os personagens são imaginários
Obra completa de rosa pena.Clique em:

Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil. Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no be-a-bá da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha que chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana.
Texto de Sérgio Gonçalves, redator da Loducca, publicado no jornal da agência.

Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil. Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no be-a-bá da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha que chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana.
Texto de Sérgio Gonçalves, redator da Loducca, publicado no jornal da agência.




"E por falar em saudade, onde anda você... "
- Não acredito! Foi cerimoniosa. Enrubesceu.
- Você por aqui?
- Moro nesta cidade. E você?
- Estou passando dias, aproveitando o frio.
- Sei... E o que tem feito?
- Ih... O meu marido chegou!
Ela entrou no automóvel. Com o olhar, ele acompanhou seu passado até dobrar à direita, no final da avenida. Resmungou:
- Maldito Porsche, acelera de 0 a 100 em 5 segundos.
"E por falar em saudade, onde anda você... "
- Não acredito! Foi cerimoniosa. Enrubesceu.
- Você por aqui?
- Moro nesta cidade. E você?
- Estou passando dias, aproveitando o frio.
- Sei... E o que tem feito?
- Ih... O meu marido chegou!
Ela entrou no automóvel. Com o olhar, ele acompanhou seu passado até dobrar à direita, no final da avenida. Resmungou:
- Maldito Porsche, acelera de 0 a 100 em 5 segundos.
"E por falar em saudade, onde anda você... "
- Não acredito! Foi cerimoniosa. Enrubesceu.
- Você por aqui?
- Moro nesta cidade. E você?
- Estou passando dias, aproveitando o frio.
- Sei... E o que tem feito?
- Ih... O meu marido chegou!
Ela entrou no automóvel. Com o olhar, ele acompanhou seu passado até dobrar à direita, no final da avenida. Resmungou:
- Maldito Porsche, acelera de 0 a 100 em 5 segundos.
"E por falar em saudade, onde anda você... "
- Não acredito! Foi cerimoniosa. Enrubesceu.
- Você por aqui?
- Moro nesta cidade. E você?
- Estou passando dias, aproveitando o frio.
- Sei... E o que tem feito?
- Ih... O meu marido chegou!
Ela entrou no automóvel. Com o olhar, ele acompanhou seu passado até dobrar à direita, no final da avenida. Resmungou:
- Maldito Porsche, acelera de 0 a 100 em 5 segundos.
| Como outros já fizeram, quero também me despedir do trema, cuja morte foi anunciada por decreto a partir de 1º de janeiro: Não uma, mas cinqüenta e cinco vezes, quero me despedir desta acentuação antiqüíssima e usada com tanta freqüência. Fomos argüídos a respeito? Claro que não! A ambigüidade que tínhamos para decidir se queríamos usar o trema ou não numa frase nos foi seqüestrada para sempre. Afinal, a ubiqüidade do trema nunca nos foi exigida. Quem deve se beneficiar com esta tão inconseqüente medida? Creio que tão somente os alcagüetes, os delinqüentes e os sangüinários, justamente aqueles que não estão eqüidistantes, como nós, dos valores eqüiláteros da Sociedade. Vocês já se argüiram sobre as conseqüências do fim do trema para os pingüins, os sagüis e os eqüestres? Estes perderão uma identidade conquistada desde a antigüidade. E o que dizer do nosso herói Anhangüera, que vivia tranqüilo com o seu nome indígena? Com a liqüidação do trema, a pronúncia do seu nome não será mais exeqüível. Os nossos papos de chopp nunca mais serão os mesmos, pois a tão freqüente lingüicinha acebolada vai desagüar num sangüíneo esquecimento. O que vai acontecer com o grão de bico com gergelim, agora sem o liqüidificador para prepará-lo? Ah, meu Deus! Tenha piedade de nós! Nunca mais poderemos escrever que "a última enxagüada é a que fica"! Não sei se vou agüentar a perda da eloqüência, em termos de estilo literário, que o trema trazia à Última Flor do Lácio. É preciso que averigüemos se haverá seqüelas futuras! E para onde vai a grandiloqüência dos lingüistas? Haja ungüento para suportar tamanha dor! O que podemos esperar em seqüência? Será que não se poderia esperar mais um qüinqüênio para que fossem melhor avaliados os líqüidos benefícios desta mudança? Portanto, pela qüinqüagésima vez, a minha voz exangüe se une à dos bilíngües e trilíngües como eu, cuja consangüinidade lingüística e contigüidade sintática se revolta ante tamanha iniqüidade. Pedir que nos apazigüemos, para mim é inexeqüível, pois falta-nos tranqüilidade diante de tamanha delinqüência gramatical. Portanto é com dor no coração que lhe dou este meu adeus desmilingüido. Adeus, meu trema querido! Mas pelo menos uma coisa me apazigüa, pois quando a saudade bater, sei que vou poder revê-lo quando estiver lendo alguma coisa em alemão. Desconheço a autoria, mas a-d-o-r-e-i! |
| Como outros já fizeram, quero também me despedir do trema, cuja morte foi anunciada por decreto a partir de 1º de janeiro: Não uma, mas cinqüenta e cinco vezes, quero me despedir desta acentuação antiqüíssima e usada com tanta freqüência. Fomos argüídos a respeito? Claro que não! A ambigüidade que tínhamos para decidir se queríamos usar o trema ou não numa frase nos foi seqüestrada para sempre. Afinal, a ubiqüidade do trema nunca nos foi exigida. Quem deve se beneficiar com esta tão inconseqüente medida? Creio que tão somente os alcagüetes, os delinqüentes e os sangüinários, justamente aqueles que não estão eqüidistantes, como nós, dos valores eqüiláteros da Sociedade. Vocês já se argüiram sobre as conseqüências do fim do trema para os pingüins, os sagüis e os eqüestres? Estes perderão uma identidade conquistada desde a antigüidade. E o que dizer do nosso herói Anhangüera, que vivia tranqüilo com o seu nome indígena? Com a liqüidação do trema, a pronúncia do seu nome não será mais exeqüível. Os nossos papos de chopp nunca mais serão os mesmos, pois a tão freqüente lingüicinha acebolada vai desagüar num sangüíneo esquecimento. O que vai acontecer com o grão de bico com gergelim, agora sem o liqüidificador para prepará-lo? Ah, meu Deus! Tenha piedade de nós! Nunca mais poderemos escrever que "a última enxagüada é a que fica"! Não sei se vou agüentar a perda da eloqüência, em termos de estilo literário, que o trema trazia à Última Flor do Lácio. É preciso que averigüemos se haverá seqüelas futuras! E para onde vai a grandiloqüência dos lingüistas? Haja ungüento para suportar tamanha dor! O que podemos esperar em seqüência? Será que não se poderia esperar mais um qüinqüênio para que fossem melhor avaliados os líqüidos benefícios desta mudança? Portanto, pela qüinqüagésima vez, a minha voz exangüe se une à dos bilíngües e trilíngües como eu, cuja consangüinidade lingüística e contigüidade sintática se revolta ante tamanha iniqüidade. Pedir que nos apazigüemos, para mim é inexeqüível, pois falta-nos tranqüilidade diante de tamanha delinqüência gramatical. Portanto é com dor no coração que lhe dou este meu adeus desmilingüido. Adeus, meu trema querido! Mas pelo menos uma coisa me apazigüa, pois quando a saudade bater, sei que vou poder revê-lo quando estiver lendo alguma coisa em alemão. Desconheço a autoria, mas a-d-o-r-e-i! |
| Como outros já fizeram, quero também me despedir do trema, cuja morte foi anunciada por decreto a partir de 1º de janeiro: Não uma, mas cinqüenta e cinco vezes, quero me despedir desta acentuação antiqüíssima e usada com tanta freqüência. Fomos argüídos a respeito? Claro que não! A ambigüidade que tínhamos para decidir se queríamos usar o trema ou não numa frase nos foi seqüestrada para sempre. Afinal, a ubiqüidade do trema nunca nos foi exigida. Quem deve se beneficiar com esta tão inconseqüente medida? Creio que tão somente os alcagüetes, os delinqüentes e os sangüinários, justamente aqueles que não estão eqüidistantes, como nós, dos valores eqüiláteros da Sociedade. Vocês já se argüiram sobre as conseqüências do fim do trema para os pingüins, os sagüis e os eqüestres? Estes perderão uma identidade conquistada desde a antigüidade. E o que dizer do nosso herói Anhangüera, que vivia tranqüilo com o seu nome indígena? Com a liqüidação do trema, a pronúncia do seu nome não será mais exeqüível. Os nossos papos de chopp nunca mais serão os mesmos, pois a tão freqüente lingüicinha acebolada vai desagüar num sangüíneo esquecimento. O que vai acontecer com o grão de bico com gergelim, agora sem o liqüidificador para prepará-lo? Ah, meu Deus! Tenha piedade de nós! Nunca mais poderemos escrever que "a última enxagüada é a que fica"! Não sei se vou agüentar a perda da eloqüência, em termos de estilo literário, que o trema trazia à Última Flor do Lácio. É preciso que averigüemos se haverá seqüelas futuras! E para onde vai a grandiloqüência dos lingüistas? Haja ungüento para suportar tamanha dor! O que podemos esperar em seqüência? Será que não se poderia esperar mais um qüinqüênio para que fossem melhor avaliados os líqüidos benefícios desta mudança? Portanto, pela qüinqüagésima vez, a minha voz exangüe se une à dos bilíngües e trilíngües como eu, cuja consangüinidade lingüística e contigüidade sintática se revolta ante tamanha iniqüidade. Pedir que nos apazigüemos, para mim é inexeqüível, pois falta-nos tranqüilidade diante de tamanha delinqüência gramatical. Portanto é com dor no coração que lhe dou este meu adeus desmilingüido. Adeus, meu trema querido! Mas pelo menos uma coisa me apazigüa, pois quando a saudade bater, sei que vou poder revê-lo quando estiver lendo alguma coisa em alemão. Desconheço a autoria, mas a-d-o-r-e-i! |