Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens

março 12, 2011

Viver despenteada(o)












O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é gostoso engorda,
O que é lindo, custa caro,
O sol que ilumina o seu rosto, enruga,
E o que é realmente bom nessa vida, despenteia.
- Fazer amor despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia
- Tirar a roupa, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi uma boa idéia colocar aqueles saltos essa noite, deixa o seu cabelo irreconhecível...
Então, cada vez que  alguém a vir descabelada, não se importe, com certeza você estará passando por um momento muito feliz !!!

(desconheço o autor, se alguém souber, por favor comunique)


Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Viver despenteada(o)












O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é gostoso engorda,
O que é lindo, custa caro,
O sol que ilumina o seu rosto, enruga,
E o que é realmente bom nessa vida, despenteia.
- Fazer amor despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia
- Tirar a roupa, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi uma boa idéia colocar aqueles saltos essa noite, deixa o seu cabelo irreconhecível...
Então, cada vez que  alguém a vir descabelada, não se importe, com certeza você estará passando por um momento muito feliz !!!

(desconheço o autor, se alguém souber, por favor comunique)


Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

fevereiro 13, 2011

O amor na maturidade


Como encontrar o equilíbrio
 necessário
 antes de formar
um novo par





Namorar é bom mas não é fácil, reza o senso comum. É preciso ajustar aqui, aparar acolá, ponderar mais adiante, reconhecer se o par é o ideal. Se não, adiante. Para os jovens pode não ser tão complicado. Mas, em idades mais avançadas, a experiência acumulada é fonte quase certa de insegurança. De onde vem o medo e como acertar o passo na jornada por um novo amor? A resposta pode estar no equilíbrio do ego, defende especialista.

Continua aqui






Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

O amor na maturidade


Como encontrar o equilíbrio
 necessário
 antes de formar
um novo par





Namorar é bom mas não é fácil, reza o senso comum. É preciso ajustar aqui, aparar acolá, ponderar mais adiante, reconhecer se o par é o ideal. Se não, adiante. Para os jovens pode não ser tão complicado. Mas, em idades mais avançadas, a experiência acumulada é fonte quase certa de insegurança. De onde vem o medo e como acertar o passo na jornada por um novo amor? A resposta pode estar no equilíbrio do ego, defende especialista.

Continua aqui






Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

janeiro 17, 2011

Lei obriga filhos a visitar pais idosos


Um dia desses, eu conversava com papai, sobre a questão da educação das pessoas no Brasil. Não falávamos de educação formal, mas, sobre a falta de amabilidade e gentileza que observamos nas pessoas, a falta do hábito da maioria dos brasileiros, em dizer um simples por favor ou um obrigada.

Hoje, me deparei com essa notícia: “Lei obriga filhos a visitar pais idosos”

“Cuidar dos pais é parte da cultura tradicional chinesa. Mas, nos últimos anos, a grande migração interna e as pressões do mercado de trabalho levaram ao enfraquecimento dos laços de família. O governo da China estaria analisando um projeto de lei que transformaria a visita de filhos a pais idosos em uma obrigação legal. A população de idosos do país cresce cada vez mais. O país atualmente tem quase 170 milhões de pessoas acima dos 60 anos e, por isso, não pode ignorar o problema dos cuidados com os idosos. (a notícia na íntegra, você poderá ler aqui BBC- Brasil)
Esta notícia me levou a pensar:Por que aqui, nós também  precisamos de leis para algumas situações que deveriam acontecer de forma natural, apenas pelos nossos valores morais e condutas de boa educação?
No Blog Direito dos idosos, que faz parte do Condomínio Longevidade, no post Usuários não respeitam assentos reservados aos idosos nos ônibus alguns comentários me chamaram a atenção:

- Quero deixar registrado que aconteceu isso comigo. Sou gestante e fui empurrada por um idoso quando já estava sentando no assento preferencial. Quando a senhora ao lado disse a ele que eu era gestante ele disse: “Não estou nem ai". O seu direito acaba quando começa o do outro! Direitos iguais.

- Tenho observado DIARIAMENTE o desrespeito á Lei no que tange aos assentos reservados para pessoas idosas nos ônibus do Município de São Paulo. Viajo de ônibus há mais de 40 anos e nunca observei qualquer falta de educação por parte de idosos em relação aos demais passageiros dos ônibus. Se existe uma Lei ela deve ser respeitada, sob pena de vivermos numa Anarquia. Que os desrespeitadores não venham depois reclamar dos que não respeitam as Leis em relação ás suas próprias pessoas, pois não têm esse direito.

Não coloco em dúvida as afirmações dessas pessoas, porém não vejo a falta de respeito ou educação distinta em faixas etárias, percebo "pessoas"mal educadas, não vejo adultos, idosos ou crianças. Quando os filhos observam que seus pais são educados e respeitosos com as pessoas, com certeza eles serão adultos e idosos respeitosos e bem educados.

Qian Jun, advogado de Pequim ouvido pelo China Daily, sobre a obrigatoriedade dos filhos a visitarem os pais idosos, afirmou Poderia ser melhor fortalecer a educação moral do que obrigar legalmente as pessoas a fazer algo’.
Concordo plenamente com o Sr, Qian Jun.

E você o que pensa sobre isso?

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Lei obriga filhos a visitar pais idosos


Um dia desses, eu conversava com papai, sobre a questão da educação das pessoas no Brasil. Não falávamos de educação formal, mas, sobre a falta de amabilidade e gentileza que observamos nas pessoas, a falta do hábito da maioria dos brasileiros, em dizer um simples por favor ou um obrigada.

Hoje, me deparei com essa notícia: “Lei obriga filhos a visitar pais idosos”

“Cuidar dos pais é parte da cultura tradicional chinesa. Mas, nos últimos anos, a grande migração interna e as pressões do mercado de trabalho levaram ao enfraquecimento dos laços de família. O governo da China estaria analisando um projeto de lei que transformaria a visita de filhos a pais idosos em uma obrigação legal. A população de idosos do país cresce cada vez mais. O país atualmente tem quase 170 milhões de pessoas acima dos 60 anos e, por isso, não pode ignorar o problema dos cuidados com os idosos. (a notícia na íntegra, você poderá ler aqui BBC- Brasil)
Esta notícia me levou a pensar:Por que aqui, nós também  precisamos de leis para algumas situações que deveriam acontecer de forma natural, apenas pelos nossos valores morais e condutas de boa educação?
No Blog Direito dos idosos, que faz parte do Condomínio Longevidade, no post Usuários não respeitam assentos reservados aos idosos nos ônibus alguns comentários me chamaram a atenção:

- Quero deixar registrado que aconteceu isso comigo. Sou gestante e fui empurrada por um idoso quando já estava sentando no assento preferencial. Quando a senhora ao lado disse a ele que eu era gestante ele disse: “Não estou nem ai". O seu direito acaba quando começa o do outro! Direitos iguais.

- Tenho observado DIARIAMENTE o desrespeito á Lei no que tange aos assentos reservados para pessoas idosas nos ônibus do Município de São Paulo. Viajo de ônibus há mais de 40 anos e nunca observei qualquer falta de educação por parte de idosos em relação aos demais passageiros dos ônibus. Se existe uma Lei ela deve ser respeitada, sob pena de vivermos numa Anarquia. Que os desrespeitadores não venham depois reclamar dos que não respeitam as Leis em relação ás suas próprias pessoas, pois não têm esse direito.

Não coloco em dúvida as afirmações dessas pessoas, porém não vejo a falta de respeito ou educação distinta em faixas etárias, percebo "pessoas"mal educadas, não vejo adultos, idosos ou crianças. Quando os filhos observam que seus pais são educados e respeitosos com as pessoas, com certeza eles serão adultos e idosos respeitosos e bem educados.

Qian Jun, advogado de Pequim ouvido pelo China Daily, sobre a obrigatoriedade dos filhos a visitarem os pais idosos, afirmou Poderia ser melhor fortalecer a educação moral do que obrigar legalmente as pessoas a fazer algo’.
Concordo plenamente com o Sr, Qian Jun.

E você o que pensa sobre isso?

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

janeiro 12, 2011

Fraternidade e pessoas idosas


A PALAVRA VELHO TRAZ CONSIGO UM CONJUNTO IMENSO DE CONOTAÇÕES PEJORATIVAS. NUMA SOCIEDADE QUE IDOLATRA A JUVENTUDE, A BELEZA E A FORÇA FÍSICA, SER VELHO SIGNIFICA ESTAR ENVOLVIDO EM UM UNIVERSO DE REJEIÇÃO, PRECONCEITOS E EXCLUSÃO

MITOS X PRECONCEITOS
O aumento da longevidade é uma vitória, mas depois de conquistada é cercada de dificuldades e desafios. As pessoas não querem envelhecer e não desejam morrer. Por quê?
Alguns mitos precisam ser desfeitos:
A inteligência não diminui com a idade, haja vista a produção intelectual na faixa etária dos 60 aos 80 anos ou mais.
Os idosos aprendem o que querem aprender. As universidades da terceira idade estão aí para provar do que os alunos idosos são capazes;
O idoso não perde a capacidade sexual;
 O idoso não deve conviver somente com idoso, mas com outras faixas etárias, num processo de relação com pessoas de outras gerações;
Velhice é doença. Inverdade: as doenças atingem pessoas de todas as idades;
 O idoso está mais perto da morte. Errado, pois todos estamos próximos da morte na sociedade atual: acidentes, doenças, falta de segurança....;
Idoso não tem futuro. Inverdade: ele tem que se preparar sim, porque ele tem futuro;
O aposentado é mantido pelo governo. Inverdade: ele contribuiu durante anos para a Previdência Social. Agora ele está recebendo o justo daquilo que contribuiu. Aposentadoria não é dádiva, é justiça.
A prevenção, a preparação e o auto-cuidado para um envelhecimento bem-sucedido deve passar, necessariamente, por uma grande mobilização.Essa tarefa é de todos.

Pe.Vilmar Moretti –
Professor do Colégio Marista – Criciúma (SC)
Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Fraternidade e pessoas idosas


A PALAVRA VELHO TRAZ CONSIGO UM CONJUNTO IMENSO DE CONOTAÇÕES PEJORATIVAS. NUMA SOCIEDADE QUE IDOLATRA A JUVENTUDE, A BELEZA E A FORÇA FÍSICA, SER VELHO SIGNIFICA ESTAR ENVOLVIDO EM UM UNIVERSO DE REJEIÇÃO, PRECONCEITOS E EXCLUSÃO

MITOS X PRECONCEITOS
O aumento da longevidade é uma vitória, mas depois de conquistada é cercada de dificuldades e desafios. As pessoas não querem envelhecer e não desejam morrer. Por quê?
Alguns mitos precisam ser desfeitos:
A inteligência não diminui com a idade, haja vista a produção intelectual na faixa etária dos 60 aos 80 anos ou mais.
Os idosos aprendem o que querem aprender. As universidades da terceira idade estão aí para provar do que os alunos idosos são capazes;
O idoso não perde a capacidade sexual;
 O idoso não deve conviver somente com idoso, mas com outras faixas etárias, num processo de relação com pessoas de outras gerações;
Velhice é doença. Inverdade: as doenças atingem pessoas de todas as idades;
 O idoso está mais perto da morte. Errado, pois todos estamos próximos da morte na sociedade atual: acidentes, doenças, falta de segurança....;
Idoso não tem futuro. Inverdade: ele tem que se preparar sim, porque ele tem futuro;
O aposentado é mantido pelo governo. Inverdade: ele contribuiu durante anos para a Previdência Social. Agora ele está recebendo o justo daquilo que contribuiu. Aposentadoria não é dádiva, é justiça.
A prevenção, a preparação e o auto-cuidado para um envelhecimento bem-sucedido deve passar, necessariamente, por uma grande mobilização.Essa tarefa é de todos.

Pe.Vilmar Moretti –
Professor do Colégio Marista – Criciúma (SC)
Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

dezembro 16, 2010

Errei, e agora?

Desligue o computador  quem nunca pisou na bola com uma pessoa querida e arrastou, por algum tempo, aquele pesado sentimento chamado remorso. Para piorar, ele nunca vem sozinho. Provoca ansiedade, insônia, mal estar, angústia, entre outros fardos. Mas tudo tem conserto. Um sincero pedido de desculpas alivia a alma, acalma o corpo e sossega o coração. Pode não ser fácil, mas com esforço - e sinceridade - você chega lá.

Vocês sabiam que frequência cardíaca, a pressão arterial os níveis de sudorese e a tensão facial das vítimas de ofensas diminuem somente ao imaginar seus agressores pedindo desculpas?
Que o perdão faz bem à saúde, não há como negar,todos nós erramos e acertamos. Logo, se não soubermos pedir desculpas, ou perdoar os outros, podemos prejudicar nossos relacionamentos", aponta Geraldo, que também é professor da especialização em Medicina Comportamental da Unifesp.

O orgulho tem um aspecto peculiar. Para Geraldo, pessoas que têm dificuldade em reconhecer o próprio erro e desculpar-se geralmente valorizam excessivamente seus pontos de vista. "O orgulho tem relação com o poder e o controle. Admitir o erro, nesse caso, seria mostrar uma fragilidade que o indivíduo não quer demonstrar", completa o psicoterapeuta.

Se a desculpa não é sincera, nem quem pede desculpas, nem quem a recebe, será beneficiado. É uma atitude que só vale a pena ser tomada quando há sinceridade. Do contrário, serão apenas palavras vazias. Na hora da decisão, uma antiga tradição budista pode ajudar.

Antes de oferecer uma desculpa ou pegar o telefone, sente-se confortavelmente, e sinta o peso de não haver se compadecido de você mesmo. Depois de sentir profundamente, diga para si mesmo: magoei alguém pela minha ignorância, ira ou confusão, e agora peço que me outorgue o poder para me perdoar.


O que NÃO se deve dizer


"Se ofendi alguém, peço desculpas"
Grande erro. Nada de "se", nada de condicionais. Este tipo de frases é típico de falso arrependimento.

"Realmente estou arrependido, mas não sou o único culpado pelo que aconteceu". Engano. O que tenham feito os demais é irrelevante no momento de pedir desculpas por suas más atitudes.

Aceitar ou não
Não é obrigatório que a outra pessoa aceite seu pedido de desculpas para você ficar em paz com você mesmo. É possível que suas desculpas nunca sejam aceitas, e você deverá encontrar uma forma de viver com isso.

Quando se prende aos problemas e enganos, é como se você estivesse preso a uma âncora que te arrasta para o fundo de um abismo. Seus melhores pensamentos aparecerão quando estiver em paz com você mesmo. E suas melhores noites de sono também.


Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Errei, e agora?

Desligue o computador  quem nunca pisou na bola com uma pessoa querida e arrastou, por algum tempo, aquele pesado sentimento chamado remorso. Para piorar, ele nunca vem sozinho. Provoca ansiedade, insônia, mal estar, angústia, entre outros fardos. Mas tudo tem conserto. Um sincero pedido de desculpas alivia a alma, acalma o corpo e sossega o coração. Pode não ser fácil, mas com esforço - e sinceridade - você chega lá.

Vocês sabiam que frequência cardíaca, a pressão arterial os níveis de sudorese e a tensão facial das vítimas de ofensas diminuem somente ao imaginar seus agressores pedindo desculpas?
Que o perdão faz bem à saúde, não há como negar,todos nós erramos e acertamos. Logo, se não soubermos pedir desculpas, ou perdoar os outros, podemos prejudicar nossos relacionamentos", aponta Geraldo, que também é professor da especialização em Medicina Comportamental da Unifesp.

O orgulho tem um aspecto peculiar. Para Geraldo, pessoas que têm dificuldade em reconhecer o próprio erro e desculpar-se geralmente valorizam excessivamente seus pontos de vista. "O orgulho tem relação com o poder e o controle. Admitir o erro, nesse caso, seria mostrar uma fragilidade que o indivíduo não quer demonstrar", completa o psicoterapeuta.

Se a desculpa não é sincera, nem quem pede desculpas, nem quem a recebe, será beneficiado. É uma atitude que só vale a pena ser tomada quando há sinceridade. Do contrário, serão apenas palavras vazias. Na hora da decisão, uma antiga tradição budista pode ajudar.

Antes de oferecer uma desculpa ou pegar o telefone, sente-se confortavelmente, e sinta o peso de não haver se compadecido de você mesmo. Depois de sentir profundamente, diga para si mesmo: magoei alguém pela minha ignorância, ira ou confusão, e agora peço que me outorgue o poder para me perdoar.


O que NÃO se deve dizer


"Se ofendi alguém, peço desculpas"
Grande erro. Nada de "se", nada de condicionais. Este tipo de frases é típico de falso arrependimento.

"Realmente estou arrependido, mas não sou o único culpado pelo que aconteceu". Engano. O que tenham feito os demais é irrelevante no momento de pedir desculpas por suas más atitudes.

Aceitar ou não
Não é obrigatório que a outra pessoa aceite seu pedido de desculpas para você ficar em paz com você mesmo. É possível que suas desculpas nunca sejam aceitas, e você deverá encontrar uma forma de viver com isso.

Quando se prende aos problemas e enganos, é como se você estivesse preso a uma âncora que te arrasta para o fundo de um abismo. Seus melhores pensamentos aparecerão quando estiver em paz com você mesmo. E suas melhores noites de sono também.


Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

novembro 10, 2010

Deus, velhice e filmar em Nova York

Aos 74 anos, Allen, cineasta prolífico e nova-iorquino emblemático, quase nunca tratou de religião. Mas a idéia de fé permeia seu mais recente filme, You Will Meet a Tall Dark Stranger (Você Vai Encontrar um Estranho, Alto e Moreno), em tradução livre, que a Sony Pictures Classics lança na próxima quarta-feira nos Estados Unidos.
_____________________
No filme, enquanto a união de um casal de Londres (Anthony Hop­­kins e Gemma Jones) se desfaz, a mulher procura conforto no sobrenatural, o que acaba tendo consequências imprevisíveis sobre o casamento da filha (Naomi Watts) e do marido (Josh Brolin).
“Para mim”, diz Allen, “não há diferença real entre uma cartomante ou um biscoito da sorte e qualquer uma das religiões organizadas. São todos igualmente válidos ou inválidos, na verdade. E igualmente úteis.”
Allen falou com Dave Itzkoff sobre seu novo filme e sobre como os temas nele presentes ressoam em sua vida, e respondeu se esse é ou não seu último filme ambientado em Nova York. A seguir, um pequeno trecho da conversa.
Como o senhor se sente quanto ao envelhecimento?
Bem, sou contra. [Risos] Acho que não tem vantagem qualquer. A gente não ganha nenhuma sabedoria com o passar dos anos. Só decai, é o que acontece. As pessoas tentam colocar um verniz bonito na história, e dizer, bem, que a gente relaxa com a idade. Passa a compreender a vida e aceitar as coisas. Mas qualquer um trocaria tudo isso por ter 35 anos novamente. Experimentei essa coisa de acordar no meio da noite e começar a pensar sobre a própria mortalidade e visualizá-la, e isso me arrepia um pouco. É o que acontece com Anthony Hopkins no início do filme, e a partir daí ele não quer mais ouvir da esposa, mais realista: “Ah, você não pode continuar fazendo isso – não é mais um jovem”. Sim, ela está certa, mas ninguém quer ouvir isso.
Envelhecer mudou seu trabalho de alguma forma? O senhor vê uma certa melancolia emergindo de seus filmes mais recentes?
Não, é muito na tentativa e erro. Não há qualquer rima ou razão naquilo que faço. É o que parece certo naquele momento. Nunca em minha vida vi nenhum filme meu depois de lançado. Nunca. Não vejo Um Assaltante Bem Trapalhão desde 1968. Não vi Noivo Neurótico, Noiva Nervosa ou Manhattan ou qualquer filme que fiz, depois dos respectivos lançamentos. Se estou fazendo minha esteira, zapeando na tevê, e me deparo com um deles, mudo de canal imediatamente, porque sinto que assistir só poderia me deprimir. Serviria apenas para eu sentir: “Ah, Deus, isso está tão horrível, se pelo menos eu pudesse fazer de novo”.
Quando o senhor tem algum tempo ocioso entre um projeto e outro, como agora, como costuma usá-lo?
Com as coisas de sempre. Levo meus filhos à escola no período da manhã. Faço caminhadas com minha esposa, toco com minha banda de jazz. Depois, há a obrigação da esteira e dos pesos, para manter a forma e não ficar mais decrépito do que já estou. Geralmente não vejo os filmes grandes de Hollywood. Outro dia vi Winter’s Bone [ainda sem título em português] e gostei muito, adorei os atores todos. E, quando estava em Paris, tive a chance de ler um bocado, Tolstoi e Norman Mailer. Coisas que tinham me escapado ao longo dos anos.
Tradução de Christian Schwartz.
Fonte: The New York Times.

You Will Meet A Tall Dark Stranger - Official Trailer




Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Deus, velhice e filmar em Nova York

Aos 74 anos, Allen, cineasta prolífico e nova-iorquino emblemático, quase nunca tratou de religião. Mas a idéia de fé permeia seu mais recente filme, You Will Meet a Tall Dark Stranger (Você Vai Encontrar um Estranho, Alto e Moreno), em tradução livre, que a Sony Pictures Classics lança na próxima quarta-feira nos Estados Unidos.
_____________________
No filme, enquanto a união de um casal de Londres (Anthony Hop­­kins e Gemma Jones) se desfaz, a mulher procura conforto no sobrenatural, o que acaba tendo consequências imprevisíveis sobre o casamento da filha (Naomi Watts) e do marido (Josh Brolin).
“Para mim”, diz Allen, “não há diferença real entre uma cartomante ou um biscoito da sorte e qualquer uma das religiões organizadas. São todos igualmente válidos ou inválidos, na verdade. E igualmente úteis.”
Allen falou com Dave Itzkoff sobre seu novo filme e sobre como os temas nele presentes ressoam em sua vida, e respondeu se esse é ou não seu último filme ambientado em Nova York. A seguir, um pequeno trecho da conversa.
Como o senhor se sente quanto ao envelhecimento?
Bem, sou contra. [Risos] Acho que não tem vantagem qualquer. A gente não ganha nenhuma sabedoria com o passar dos anos. Só decai, é o que acontece. As pessoas tentam colocar um verniz bonito na história, e dizer, bem, que a gente relaxa com a idade. Passa a compreender a vida e aceitar as coisas. Mas qualquer um trocaria tudo isso por ter 35 anos novamente. Experimentei essa coisa de acordar no meio da noite e começar a pensar sobre a própria mortalidade e visualizá-la, e isso me arrepia um pouco. É o que acontece com Anthony Hopkins no início do filme, e a partir daí ele não quer mais ouvir da esposa, mais realista: “Ah, você não pode continuar fazendo isso – não é mais um jovem”. Sim, ela está certa, mas ninguém quer ouvir isso.
Envelhecer mudou seu trabalho de alguma forma? O senhor vê uma certa melancolia emergindo de seus filmes mais recentes?
Não, é muito na tentativa e erro. Não há qualquer rima ou razão naquilo que faço. É o que parece certo naquele momento. Nunca em minha vida vi nenhum filme meu depois de lançado. Nunca. Não vejo Um Assaltante Bem Trapalhão desde 1968. Não vi Noivo Neurótico, Noiva Nervosa ou Manhattan ou qualquer filme que fiz, depois dos respectivos lançamentos. Se estou fazendo minha esteira, zapeando na tevê, e me deparo com um deles, mudo de canal imediatamente, porque sinto que assistir só poderia me deprimir. Serviria apenas para eu sentir: “Ah, Deus, isso está tão horrível, se pelo menos eu pudesse fazer de novo”.
Quando o senhor tem algum tempo ocioso entre um projeto e outro, como agora, como costuma usá-lo?
Com as coisas de sempre. Levo meus filhos à escola no período da manhã. Faço caminhadas com minha esposa, toco com minha banda de jazz. Depois, há a obrigação da esteira e dos pesos, para manter a forma e não ficar mais decrépito do que já estou. Geralmente não vejo os filmes grandes de Hollywood. Outro dia vi Winter’s Bone [ainda sem título em português] e gostei muito, adorei os atores todos. E, quando estava em Paris, tive a chance de ler um bocado, Tolstoi e Norman Mailer. Coisas que tinham me escapado ao longo dos anos.
Tradução de Christian Schwartz.
Fonte: The New York Times.

You Will Meet A Tall Dark Stranger - Official Trailer




Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

outubro 27, 2010

Carta do Papa João Paulo II aos anciãos - 1999



Aos meus irmãos e irmãs anciãos!
 



« A soma da nossa vida é de setenta anos, 
os mais fortes chegam aos oitenta; 
mas a maior parte deles 
é fadiga e dor, 
passam depressa e nós desaparecemos » 
(Sal 90 [89], 10)

1. Setenta anos eram muitos no tempo em que o Salmista escrevia estas palavras, e
muitos não os superavam; hoje, graças aos progressos da medicina e melhores
condições sociais e econômicas, em muitas regiões do mundo a vida ampliou-se
notavelmente. Porém, é sempre verdade que os anos passam rapidamente; o dom
da vida, apesar da fadiga e dor que a caracteriza, é belo e precioso demais para que
dele nos cansemos.

Sendo também eu idoso, senti o desejo de estabelecer um diálogo convosco. Faço-
o, antes de mais, dando graças a Deus pelos abundantes dons e oportunidades que
Ele me concedeu até hoje. Percorro novamente com a memória as etapas da minha
existência, que se entrelaçam com a história de grande parte deste século, e vejo
aparecer a figura de numerosas pessoas, algumas delas particularmente queridas:
são lembranças de eventos ordinários e extraordinários, de momentos felizes e de
fatos marcados pelo sofrimento. Acima de tudo, no entanto, vejo estender-se a mão
providente e misericordiosa de Deus Pai, o qual « trata do melhor modo tudo o que
existe »,(1) e « se algo Lhe pedimos, segundo a Sua vontade, Ele ouve-nos » (1 Jo
5, 14). A Ele, digo com o Salmista: « Desde a minha juventude, Vós me instruístes,
Senhor, até ao presente anuncio as Vossas maravilhas. Agora na velhice e na
decrepitude, não me abandoneis, ó Deus; para que narre às gerações a força do
Vosso braço, o Vosso poder a todos os que hão de vir » (Sal 71 [70], 17-18).

Meu pensamento dirige-se com afeto a vós, caríssimos anciãos de qualquer língua
e cultura. Escrevo-vos esta carta no ano que a Organização das Nações Unidas quis
oportunamente dedicar aos anciãos, para chamar a atenção da sociedade inteira

 para a situação daquele que, pelo peso da idade, deve com freqüência enfrentar
problemas numerosos e difíceis.

Sobre este tema, o Pontifício Conselho para os Leigos já ofereceu preciosas linhas
de reflexão. (2) Com esta carta, desejo somente exprimir a minha proximidade
espiritual com o intuito de quem, ano após ano, sente crescer dentro de si uma
compreensão sempre mais profunda desta fase da vida e nota consequentemente a
necessidade de um contacto mais direto com os seus contemporâneos para refletir
sobre coisas que são de comum experiência, tudo colocando sob o olhar de Deus
que nos envolve com o seu amor, e com a sua providência nos sustenta e conduz.

2. Caríssimos irmãos e irmãs, voltar ao passado para tentar uma espécie de
balanço, é espontâneo na nossa idade. Esta visão retrospectiva permite uma
avaliação mais serena e objetiva de pessoas e situações encontradas ao longo do
caminho. O passar do tempo suaviza os contornos dos acontecimentos,
amenizando os contratempos dolorosos. Infelizmente cruzes e tribulações estão
amplamente presentes na vida de cada um. Às vezes trata-se de problemas e
sofrimentos, que põem à dura prova a resistência psicofísica e podem fazer
estremecer a própria fé. Mas a experiência ensina que até as próprias penas
cotidianas, com a graça do Senhor, contribuem freqüentemente para o
amadurecimento das pessoas, abrandando-lhes o caráter.

Para além dos acontecimentos pessoais, a reflexão que mais se impõe é a que se
refere ao tempo que passa inexoravelmente. « O tempo foge irremediavelmente »,
já sentenciava um antigo poeta latino. (3) O homem está imerso no tempo: nele
nasce, vive e morre. Com o nascimento fixa-se uma data, a primeira da sua vida, e
com a morte a outra, a última: o alfa e o ômega, o início e o fim da sua passagem
pela terra, como a tradição cristã sublinha, esculpindo estas letras do alfabeto grego
sobre as lápides dos túmulos.

Mas, se a existência de cada um de nós é tão limitada e frágil, conforta-nos o
pensamento que, graças à alma espiritual, sobrevivemos à morte. Aliás, a fé
oferece-nos uma « esperança que não confunde » (cf. Rom 5, 5), descerrando-nos a
perspectiva da ressurreição final. Não é sem motivo que a Igreja, na solene Vigília
Pascal, usa estas mesmas letras para se referir a Cristo vivo, ontem, hoje e sempre:
« Princípio e fim, Alfa e Ômega. A Ele pertence o tempo e a eternidade ». (4) A
existência humana, apesar de sujeita ao tempo, é colocada por Cristo no horizonte
da imortalidade. Ele « fez-Se homem entre os homens, para reunir o fim com o
princípio, isto é, o homem com Deus ». (5)



Um século complexo rumo a um futuro de esperança

3. Dirigindo-me aos anciãos, sei que estou falando com pessoas e de pessoas que
atravessaram um longo percurso (cf. Sab 4, 13). Falo aos meus contemporâneos;
posso, assim, procurar facilmente uma analogia na minha vida pessoal. A nossa
vida, caros irmãos e irmãs, foi inscrita pela Providência neste século vinte, que
recebeu uma complexa herança do passado e foi testemunha de eventos numerosos
e extraordinários.

Como muitos outros tempos da história, ele registou luzes e sombras. Nem tudo foi
escuridão. Muitos aspectos positivos compensaram o negativo ou dele surgiram
como uma benéfica reação da consciência coletiva. Mas também é verdade — e
seria tão injusto como perigoso esquecê-lo — que houve sofrimentos indizíveis,
que afetaram a vida de milhões e milhões de pessoas. Bastaria pensar nos conflitos
deflagrados em diversos continentes devido a disputas territoriais entre Estados ou
ao ódio inter-étnico. De não menor gravidade devem-se considerar a extrema
pobreza de amplas faixas sociais no hemisfério sul do mundo, o fenômeno
vergonhoso da discriminação racial e a sistemática violação dos direitos humanos
em muitas nações. E que dizer então dos grandes conflitos mundiais?

Na primeira parte do século houve duas guerras, com uma quantidade nunca antes
imaginada de mortos e de destruição. A primeira guerra mundial ceifou milhões de
soldados e de civis, destroçando tantas vidas humanas no limiar da adolescência, e
até mesmo da infância. E que dizer então da segunda guerra mundial? Ocorrida
após poucos decênios de relativa paz mundial, especialmente na Europa, foi mais
trágica do que a precedente, com conseqüências desastrosas para a vida das nações
e dos continentes. Foi guerra total, inaudita mobilização de ódio, que caiu também
brutalmente sobre populações civis inermes e destruiu inteiras gerações. O tributo
pago, nas várias frentes, à loucura bélica foi incalculável, e igualmente terrível foi
a matança consumada nos campos de extermínio, verdadeiros Gólgotas da época
contemporânea.

Na segunda metade do século, viveu-se por vários anos, o pesadelo da guerra fria,
isto é da confrontação entre os dois grandes blocos ideológicos opostos, Leste e
Oeste, com uma desenfreada corrida aos armamentos e a constante ameaça de uma
guerra atômica, capaz de levar a humanidade à extinção.(6) Graças a Deus, aquela
página tenebrosa fechou-se na Europa com a queda dos regimes totalitários
opressivos, como fruto de uma luta pacífica, que se serviu das armas da verdade e
da justiça.(7) Começou, assim, um árduo mas profícuo processo de diálogo e de
reconciliação, destinado a instaurar uma convivência mais serena e solidária entre


os povos.

Muitas nações, porém, estão ainda bem longe de conhecer os benefícios da paz e
da liberdade. Grande inquietação suscitou nos passados meses o violento conflito
deflagrado na região dos Balcãs, já teatro nos anos precedentes de uma terrível
guerra de caráter étnico: mais sangue foi derramado, outras destruições
aconteceram, mais ódio foi alimentado. Agora, no momento em que o furor das
armas se aplacou, começa-se a pensar na reconstrução, na perspectiva do novo
milênio. Nesse meio tempo, continuam a rebentar também em outros continentes
vários focos de guerra, por vezes com massacres e violências muito cedo
esquecidos pelos jornais.

4. Se estas lembranças e dolorosas realidades atuais nos entristecem, não podemos
esquecer que o nosso século viu levantarem-se no horizonte bastantes sinais
positivos, que constituem novas fontes de esperança para o terceiro milênio.
Assim, cresceu — mesmo entre tantas contradições, especialmente quanto ao
respeito pela vida de cada ser humano — a consciência dos direitos humanos
universais, proclamados em solenes declarações que comprometem os povos.

Desenvolveu-se, igualmente, o sentido do direito dos povos à autodeterminação no
âmbito de relações nacionais e internacionais inspiradas na valorização das
identidades culturais e no respeito pelas minorias. A queda dos sistemas
totalitários, como os do Leste europeu, fez crescer a percepção universal do valor
da democracia e da liberdade de mercado, mesmo deixando aberto o enorme
desafio de conjugar liberdade e justiça social.

Deve ser considerado, da mesma forma, um grande dom de Deus o fato de as
religiões estarem tentando, sempre com maior determinação, um diálogo que as
torne elemento fundamental de paz e de unidade no mundo.

Como não ressaltar também o crescimento, na consciência comum, do
reconhecimento da dignidade da mulher? Sem dúvida, há ainda muito caminho a
ser percorrido, mas a linha está traçada. Motivo de esperança é, também, a
intensificação das comunicações que, favorecidas pela tecnologia atual, permitem
superar as fronteiras tradicionais, fazendo-nos sentir cidadãos do mundo.

Outro campo importante de maturação é a nova sensibilidade ecológica que merece
ser encorajada. Fatores de esperança são ainda os grandes progressos da medicina e
das ciências aplicadas ao bem-estar do homem.





Portanto, são muitos os motivos pelos quais devemos agradecer a Deus. Apesar de
tudo, este final de século apresenta-se com grandes potencialidades de paz e de
progresso. Mesmo das provas que afetaram a nossa geração, emerge uma luz capaz
de iluminar os anos da nossa velhice. Fica então confirmado um princípio muito
apreciado pela fé cristã: « As tribulações não só não destroem a esperança, mas são
o seu fundamento ».(8)

Então é sugestivo que, enquanto o século e o milênio se encaminham para o
crepúsculo e já se entrevê a aurora de uma nova estação para a humanidade, nos
detenhamos a meditar sobre a realidade do tempo que passa rápido, não para
resignar-nos a um destino inexorável, mas para valorizar plenamente os anos que
nos restam para viver.

O outono da vida

5. O que é a velhice? Às vezes fala-se dela como do outono da vida — assim fazia
Cícero (9) — seguindo a analogia sugerida pelas estações e pelo andamento das
fases da natureza. Basta olhar, ao longo do ano, para a mudança da paisagem nas
montanhas e nas planícies, nos prados, nos vales, nos bosques, nas árvores e nas
plantas. Há uma estreita semelhança entre o biorritmo do homem e os ciclos da
natureza, à qual ele pertence.

Porém, o homem, por sua vez, distingue-se de toda a realidade que o circunda,
porque é pessoa. Plasmado à imagem e semelhança de Deus, ele é sujeito
consciente e responsável. Mas, mesmo na sua dimensão espiritual, ele vive a
sucessão das distintas fases, todas igualmente passageiras. S. Efrem, o Sírio, amava
comparar a vida com os dedos da mão, quer para pôr em evidência que a sua
duração não vai mais além de um palmo, quer para indicar que, como os vários
dedos, cada fase da vida tem a sua característica, e « os dedos representam os cinco
degraus pelos quais o homem progride ».(10) Se, portanto, a infância e a juventude
são o período no qual o ser humano está formando-se, vive projetado para o futuro
e, tomando consciência das próprias potencialidades, forja projetos para a idade
adulta, a velhice também possui os seus bens, porque — como observa S. Jerônimo
— atenuando o ímpeto das paixões, ela « aumenta a sabedoria, dá conselhos mais
amadurecidos ».(11) Em certo sentido, é a época privilegiada daquela sabedoria
que, em geral, é fruto da experiência, porque « o tempo é um grande mestre ».(12)
Além disso, é bem conhecida a oração do Salmista: « Ensinai-nos a contar os
nossos dias, para que guiemos o coração na sabedoria » (Sal 90 [89], 12).

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Carta do Papa João Paulo II aos anciãos - 1999



Aos meus irmãos e irmãs anciãos!
 



« A soma da nossa vida é de setenta anos, 
os mais fortes chegam aos oitenta; 
mas a maior parte deles 
é fadiga e dor, 
passam depressa e nós desaparecemos » 
(Sal 90 [89], 10)

1. Setenta anos eram muitos no tempo em que o Salmista escrevia estas palavras, e
muitos não os superavam; hoje, graças aos progressos da medicina e melhores
condições sociais e econômicas, em muitas regiões do mundo a vida ampliou-se
notavelmente. Porém, é sempre verdade que os anos passam rapidamente; o dom
da vida, apesar da fadiga e dor que a caracteriza, é belo e precioso demais para que
dele nos cansemos.

Sendo também eu idoso, senti o desejo de estabelecer um diálogo convosco. Faço-
o, antes de mais, dando graças a Deus pelos abundantes dons e oportunidades que
Ele me concedeu até hoje. Percorro novamente com a memória as etapas da minha
existência, que se entrelaçam com a história de grande parte deste século, e vejo
aparecer a figura de numerosas pessoas, algumas delas particularmente queridas:
são lembranças de eventos ordinários e extraordinários, de momentos felizes e de
fatos marcados pelo sofrimento. Acima de tudo, no entanto, vejo estender-se a mão
providente e misericordiosa de Deus Pai, o qual « trata do melhor modo tudo o que
existe »,(1) e « se algo Lhe pedimos, segundo a Sua vontade, Ele ouve-nos » (1 Jo
5, 14). A Ele, digo com o Salmista: « Desde a minha juventude, Vós me instruístes,
Senhor, até ao presente anuncio as Vossas maravilhas. Agora na velhice e na
decrepitude, não me abandoneis, ó Deus; para que narre às gerações a força do
Vosso braço, o Vosso poder a todos os que hão de vir » (Sal 71 [70], 17-18).

Meu pensamento dirige-se com afeto a vós, caríssimos anciãos de qualquer língua
e cultura. Escrevo-vos esta carta no ano que a Organização das Nações Unidas quis
oportunamente dedicar aos anciãos, para chamar a atenção da sociedade inteira

 para a situação daquele que, pelo peso da idade, deve com freqüência enfrentar
problemas numerosos e difíceis.

Sobre este tema, o Pontifício Conselho para os Leigos já ofereceu preciosas linhas
de reflexão. (2) Com esta carta, desejo somente exprimir a minha proximidade
espiritual com o intuito de quem, ano após ano, sente crescer dentro de si uma
compreensão sempre mais profunda desta fase da vida e nota consequentemente a
necessidade de um contacto mais direto com os seus contemporâneos para refletir
sobre coisas que são de comum experiência, tudo colocando sob o olhar de Deus
que nos envolve com o seu amor, e com a sua providência nos sustenta e conduz.

2. Caríssimos irmãos e irmãs, voltar ao passado para tentar uma espécie de
balanço, é espontâneo na nossa idade. Esta visão retrospectiva permite uma
avaliação mais serena e objetiva de pessoas e situações encontradas ao longo do
caminho. O passar do tempo suaviza os contornos dos acontecimentos,
amenizando os contratempos dolorosos. Infelizmente cruzes e tribulações estão
amplamente presentes na vida de cada um. Às vezes trata-se de problemas e
sofrimentos, que põem à dura prova a resistência psicofísica e podem fazer
estremecer a própria fé. Mas a experiência ensina que até as próprias penas
cotidianas, com a graça do Senhor, contribuem freqüentemente para o
amadurecimento das pessoas, abrandando-lhes o caráter.

Para além dos acontecimentos pessoais, a reflexão que mais se impõe é a que se
refere ao tempo que passa inexoravelmente. « O tempo foge irremediavelmente »,
já sentenciava um antigo poeta latino. (3) O homem está imerso no tempo: nele
nasce, vive e morre. Com o nascimento fixa-se uma data, a primeira da sua vida, e
com a morte a outra, a última: o alfa e o ômega, o início e o fim da sua passagem
pela terra, como a tradição cristã sublinha, esculpindo estas letras do alfabeto grego
sobre as lápides dos túmulos.

Mas, se a existência de cada um de nós é tão limitada e frágil, conforta-nos o
pensamento que, graças à alma espiritual, sobrevivemos à morte. Aliás, a fé
oferece-nos uma « esperança que não confunde » (cf. Rom 5, 5), descerrando-nos a
perspectiva da ressurreição final. Não é sem motivo que a Igreja, na solene Vigília
Pascal, usa estas mesmas letras para se referir a Cristo vivo, ontem, hoje e sempre:
« Princípio e fim, Alfa e Ômega. A Ele pertence o tempo e a eternidade ». (4) A
existência humana, apesar de sujeita ao tempo, é colocada por Cristo no horizonte
da imortalidade. Ele « fez-Se homem entre os homens, para reunir o fim com o
princípio, isto é, o homem com Deus ». (5)



Um século complexo rumo a um futuro de esperança

3. Dirigindo-me aos anciãos, sei que estou falando com pessoas e de pessoas que
atravessaram um longo percurso (cf. Sab 4, 13). Falo aos meus contemporâneos;
posso, assim, procurar facilmente uma analogia na minha vida pessoal. A nossa
vida, caros irmãos e irmãs, foi inscrita pela Providência neste século vinte, que
recebeu uma complexa herança do passado e foi testemunha de eventos numerosos
e extraordinários.

Como muitos outros tempos da história, ele registou luzes e sombras. Nem tudo foi
escuridão. Muitos aspectos positivos compensaram o negativo ou dele surgiram
como uma benéfica reação da consciência coletiva. Mas também é verdade — e
seria tão injusto como perigoso esquecê-lo — que houve sofrimentos indizíveis,
que afetaram a vida de milhões e milhões de pessoas. Bastaria pensar nos conflitos
deflagrados em diversos continentes devido a disputas territoriais entre Estados ou
ao ódio inter-étnico. De não menor gravidade devem-se considerar a extrema
pobreza de amplas faixas sociais no hemisfério sul do mundo, o fenômeno
vergonhoso da discriminação racial e a sistemática violação dos direitos humanos
em muitas nações. E que dizer então dos grandes conflitos mundiais?

Na primeira parte do século houve duas guerras, com uma quantidade nunca antes
imaginada de mortos e de destruição. A primeira guerra mundial ceifou milhões de
soldados e de civis, destroçando tantas vidas humanas no limiar da adolescência, e
até mesmo da infância. E que dizer então da segunda guerra mundial? Ocorrida
após poucos decênios de relativa paz mundial, especialmente na Europa, foi mais
trágica do que a precedente, com conseqüências desastrosas para a vida das nações
e dos continentes. Foi guerra total, inaudita mobilização de ódio, que caiu também
brutalmente sobre populações civis inermes e destruiu inteiras gerações. O tributo
pago, nas várias frentes, à loucura bélica foi incalculável, e igualmente terrível foi
a matança consumada nos campos de extermínio, verdadeiros Gólgotas da época
contemporânea.

Na segunda metade do século, viveu-se por vários anos, o pesadelo da guerra fria,
isto é da confrontação entre os dois grandes blocos ideológicos opostos, Leste e
Oeste, com uma desenfreada corrida aos armamentos e a constante ameaça de uma
guerra atômica, capaz de levar a humanidade à extinção.(6) Graças a Deus, aquela
página tenebrosa fechou-se na Europa com a queda dos regimes totalitários
opressivos, como fruto de uma luta pacífica, que se serviu das armas da verdade e
da justiça.(7) Começou, assim, um árduo mas profícuo processo de diálogo e de
reconciliação, destinado a instaurar uma convivência mais serena e solidária entre


os povos.

Muitas nações, porém, estão ainda bem longe de conhecer os benefícios da paz e
da liberdade. Grande inquietação suscitou nos passados meses o violento conflito
deflagrado na região dos Balcãs, já teatro nos anos precedentes de uma terrível
guerra de caráter étnico: mais sangue foi derramado, outras destruições
aconteceram, mais ódio foi alimentado. Agora, no momento em que o furor das
armas se aplacou, começa-se a pensar na reconstrução, na perspectiva do novo
milênio. Nesse meio tempo, continuam a rebentar também em outros continentes
vários focos de guerra, por vezes com massacres e violências muito cedo
esquecidos pelos jornais.

4. Se estas lembranças e dolorosas realidades atuais nos entristecem, não podemos
esquecer que o nosso século viu levantarem-se no horizonte bastantes sinais
positivos, que constituem novas fontes de esperança para o terceiro milênio.
Assim, cresceu — mesmo entre tantas contradições, especialmente quanto ao
respeito pela vida de cada ser humano — a consciência dos direitos humanos
universais, proclamados em solenes declarações que comprometem os povos.

Desenvolveu-se, igualmente, o sentido do direito dos povos à autodeterminação no
âmbito de relações nacionais e internacionais inspiradas na valorização das
identidades culturais e no respeito pelas minorias. A queda dos sistemas
totalitários, como os do Leste europeu, fez crescer a percepção universal do valor
da democracia e da liberdade de mercado, mesmo deixando aberto o enorme
desafio de conjugar liberdade e justiça social.

Deve ser considerado, da mesma forma, um grande dom de Deus o fato de as
religiões estarem tentando, sempre com maior determinação, um diálogo que as
torne elemento fundamental de paz e de unidade no mundo.

Como não ressaltar também o crescimento, na consciência comum, do
reconhecimento da dignidade da mulher? Sem dúvida, há ainda muito caminho a
ser percorrido, mas a linha está traçada. Motivo de esperança é, também, a
intensificação das comunicações que, favorecidas pela tecnologia atual, permitem
superar as fronteiras tradicionais, fazendo-nos sentir cidadãos do mundo.

Outro campo importante de maturação é a nova sensibilidade ecológica que merece
ser encorajada. Fatores de esperança são ainda os grandes progressos da medicina e
das ciências aplicadas ao bem-estar do homem.





Portanto, são muitos os motivos pelos quais devemos agradecer a Deus. Apesar de
tudo, este final de século apresenta-se com grandes potencialidades de paz e de
progresso. Mesmo das provas que afetaram a nossa geração, emerge uma luz capaz
de iluminar os anos da nossa velhice. Fica então confirmado um princípio muito
apreciado pela fé cristã: « As tribulações não só não destroem a esperança, mas são
o seu fundamento ».(8)

Então é sugestivo que, enquanto o século e o milênio se encaminham para o
crepúsculo e já se entrevê a aurora de uma nova estação para a humanidade, nos
detenhamos a meditar sobre a realidade do tempo que passa rápido, não para
resignar-nos a um destino inexorável, mas para valorizar plenamente os anos que
nos restam para viver.

O outono da vida

5. O que é a velhice? Às vezes fala-se dela como do outono da vida — assim fazia
Cícero (9) — seguindo a analogia sugerida pelas estações e pelo andamento das
fases da natureza. Basta olhar, ao longo do ano, para a mudança da paisagem nas
montanhas e nas planícies, nos prados, nos vales, nos bosques, nas árvores e nas
plantas. Há uma estreita semelhança entre o biorritmo do homem e os ciclos da
natureza, à qual ele pertence.

Porém, o homem, por sua vez, distingue-se de toda a realidade que o circunda,
porque é pessoa. Plasmado à imagem e semelhança de Deus, ele é sujeito
consciente e responsável. Mas, mesmo na sua dimensão espiritual, ele vive a
sucessão das distintas fases, todas igualmente passageiras. S. Efrem, o Sírio, amava
comparar a vida com os dedos da mão, quer para pôr em evidência que a sua
duração não vai mais além de um palmo, quer para indicar que, como os vários
dedos, cada fase da vida tem a sua característica, e « os dedos representam os cinco
degraus pelos quais o homem progride ».(10) Se, portanto, a infância e a juventude
são o período no qual o ser humano está formando-se, vive projetado para o futuro
e, tomando consciência das próprias potencialidades, forja projetos para a idade
adulta, a velhice também possui os seus bens, porque — como observa S. Jerônimo
— atenuando o ímpeto das paixões, ela « aumenta a sabedoria, dá conselhos mais
amadurecidos ».(11) Em certo sentido, é a época privilegiada daquela sabedoria
que, em geral, é fruto da experiência, porque « o tempo é um grande mestre ».(12)
Além disso, é bem conhecida a oração do Salmista: « Ensinai-nos a contar os
nossos dias, para que guiemos o coração na sabedoria » (Sal 90 [89], 12).

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.