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novembro 06, 2010

Sou daquele tempo... - Enviado por A. Kremnitzer - (bom domingo à todos)

Parte I


Eu sou de um tempo distante, o chamado tempo do onça, tempo em que qualquer máquina era uma geringonça.
Sou do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, que aos domingos a gente ia à missa.

Trago lembranças bacanas das Casas Pernambucanas, das farras no bonde aberto, dos chapéus da Casa Alberto.
Tempo em que adultério era crime e o Flamengo ainda tinha time.
Do busca-pé, do rojão, sou do tempo do xarope São João.
Venho do tempo em que menino só gostava de menina, tempo do confete e serpentina nas festas de Carnaval do Sírio, do Monte Líbano, dos bailes do Municipal.
Sou do tempo do bicarbonato, do lançamento do Sonrisal.
Sou do tempo em que futebol era pra macho, em que ninguém sossegava o facho nos bailes de formatura, dos play-boys botando banca.
Tempo quando o telefone era preto e a geladeira era branca.
Sou do tempo em que se confiava nas companhias aéreas, em que a penicilina curava as doenças venéreas.
Sou do tempo da Rádio Nacional, do lança perfume no Carnaval, do calouro na hora da peneira.

Tempo em que pó era o mesmo que poeira.
Tempo do terno risca de giz, da calça de boca apertada, da Lapa de Madame Satã, de poder ir torcer no Maracanã e lembrar da mãe do juiz.
Sou do tempo do Dói-Codi, do comigo-ninguém-pode, da ditadura envergonhada.
Sou do tempo em que ficar era não ir.
Tempo de permitir passeios à beira-mar.
Tempo de se curtir a vida sem medo de bala perdida.
Tempo de respeito pelos pais, enfim, sou de um tempo que não volta mais.

Parte II

Sou do tempo da brilhantina do laquê, da Glostora, do Gumex, o correio não tinha Sedex e o que vinha era telegrama trazendo uma má notícia.
Sou do tempo em que a polícia perseguia todo sambista que tivesse alguma fama.
Tempo em que mulher é que usava brinco, em que as portas não tinham trinco e que se dizia demorou só pra quem chegasse atrasado.
As calças não perdiam o vinco, picada era só na bunda se aquela febre profunda não tivesse melhorado.
No meu tempo coca era refrigerante
e todo homem elegante abria a porta do carro.
Aceitava-se qualquer cigarro sem medo de ser um novo fato.
Só preço podia ser barato, bicho era só o animal, cara, o rosto do pobre mortal.
Sou do tempo do tergal, do ban-lon, do terilene, da Emilinha e da Marlene no sucesso musical.
Sou do tempo do mocinho e o vilão com cara de mau, do reclame de fortificante do óleo de fígado de bacalhau.
Sou do tempo do coreto e da banda, do velho cigarro Yolanda vendido na venda da esquina.

Sou do tempo da estricnina, veneno tão poderoso.
Sou do tempo do leite de magnésia, do sagu, do fubá Mimoso, do fosfato que curava a amnésia.
Sou do tempo da cocoroca do tempo da Copa Roca que muita gente não viu.
Do progresso tão abrupto que todo mundo assistiu porém, político corrupto, o rato que sai da toca...
Ora! Esse sempre existiu!

Parte III

Sou do tempo em que Benjor se chamava Jorge Bem.
A carne do bife era acém, ração de cachorro era bofe.
No meu tempo começou o estrogonofe.
Sou do tempo do tostão e do vintém, quando contavam sobre a zona com seus bordéis e programas de dez mil réis.
Sou do tempo da Cibalena e do Veramon.

No dentista via a revista Fon-fon, assistia filmes do Rin-tin-tin.
Sou do tempo da confeitaria Manon, da magia, do pó de pirlimpimpim.
Colecionei estampas Eucalol. Acompanhei o lançamento da Avon, tomei o fortificante Calcigenol.
Sou do tempo da PRK 30, do rádio tipo capelinha, dos contos da Carochinha
do remédio que era anunciado, assim:
"Veja ilustre passageiro
O belo tipo faceiro

Que o senhor tem a seu lado
Mas, no entanto, acredite,

Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosotado".

Sou do tempo da Cafiaspirina, da compressa de antiflugestina, do bálsamo de benguê.
Fui leitor do almanaque Tico-Tico,

tempo em que trabalhador ficava rico.
Sou do tempo da Casa Cavê, do taco com cera Parquetina, dos discursos do Presidente Gegê.
Sou do tempo do óleo de linhaça, andei na Maria Fumaça.
Li muito a revista Cruzeiro, escrevi com caneta- tinteiro.
Separei o joio do trigo, vi muito vigarista na cadeia.
Só não fui garçon da Santa-Ceia.
Também não sou assim tão antigo.

Desconheço o autor (ou autora).

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

Sou daquele tempo... - Enviado por A. Kremnitzer - (bom domingo à todos)

Parte I


Eu sou de um tempo distante, o chamado tempo do onça, tempo em que qualquer máquina era uma geringonça.
Sou do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, que aos domingos a gente ia à missa.

Trago lembranças bacanas das Casas Pernambucanas, das farras no bonde aberto, dos chapéus da Casa Alberto.
Tempo em que adultério era crime e o Flamengo ainda tinha time.
Do busca-pé, do rojão, sou do tempo do xarope São João.
Venho do tempo em que menino só gostava de menina, tempo do confete e serpentina nas festas de Carnaval do Sírio, do Monte Líbano, dos bailes do Municipal.
Sou do tempo do bicarbonato, do lançamento do Sonrisal.
Sou do tempo em que futebol era pra macho, em que ninguém sossegava o facho nos bailes de formatura, dos play-boys botando banca.
Tempo quando o telefone era preto e a geladeira era branca.
Sou do tempo em que se confiava nas companhias aéreas, em que a penicilina curava as doenças venéreas.
Sou do tempo da Rádio Nacional, do lança perfume no Carnaval, do calouro na hora da peneira.

Tempo em que pó era o mesmo que poeira.
Tempo do terno risca de giz, da calça de boca apertada, da Lapa de Madame Satã, de poder ir torcer no Maracanã e lembrar da mãe do juiz.
Sou do tempo do Dói-Codi, do comigo-ninguém-pode, da ditadura envergonhada.
Sou do tempo em que ficar era não ir.
Tempo de permitir passeios à beira-mar.
Tempo de se curtir a vida sem medo de bala perdida.
Tempo de respeito pelos pais, enfim, sou de um tempo que não volta mais.

Parte II

Sou do tempo da brilhantina do laquê, da Glostora, do Gumex, o correio não tinha Sedex e o que vinha era telegrama trazendo uma má notícia.
Sou do tempo em que a polícia perseguia todo sambista que tivesse alguma fama.
Tempo em que mulher é que usava brinco, em que as portas não tinham trinco e que se dizia demorou só pra quem chegasse atrasado.
As calças não perdiam o vinco, picada era só na bunda se aquela febre profunda não tivesse melhorado.
No meu tempo coca era refrigerante
e todo homem elegante abria a porta do carro.
Aceitava-se qualquer cigarro sem medo de ser um novo fato.
Só preço podia ser barato, bicho era só o animal, cara, o rosto do pobre mortal.
Sou do tempo do tergal, do ban-lon, do terilene, da Emilinha e da Marlene no sucesso musical.
Sou do tempo do mocinho e o vilão com cara de mau, do reclame de fortificante do óleo de fígado de bacalhau.
Sou do tempo do coreto e da banda, do velho cigarro Yolanda vendido na venda da esquina.

Sou do tempo da estricnina, veneno tão poderoso.
Sou do tempo do leite de magnésia, do sagu, do fubá Mimoso, do fosfato que curava a amnésia.
Sou do tempo da cocoroca do tempo da Copa Roca que muita gente não viu.
Do progresso tão abrupto que todo mundo assistiu porém, político corrupto, o rato que sai da toca...
Ora! Esse sempre existiu!

Parte III

Sou do tempo em que Benjor se chamava Jorge Bem.
A carne do bife era acém, ração de cachorro era bofe.
No meu tempo começou o estrogonofe.
Sou do tempo do tostão e do vintém, quando contavam sobre a zona com seus bordéis e programas de dez mil réis.
Sou do tempo da Cibalena e do Veramon.

No dentista via a revista Fon-fon, assistia filmes do Rin-tin-tin.
Sou do tempo da confeitaria Manon, da magia, do pó de pirlimpimpim.
Colecionei estampas Eucalol. Acompanhei o lançamento da Avon, tomei o fortificante Calcigenol.
Sou do tempo da PRK 30, do rádio tipo capelinha, dos contos da Carochinha
do remédio que era anunciado, assim:
"Veja ilustre passageiro
O belo tipo faceiro

Que o senhor tem a seu lado
Mas, no entanto, acredite,

Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosotado".

Sou do tempo da Cafiaspirina, da compressa de antiflugestina, do bálsamo de benguê.
Fui leitor do almanaque Tico-Tico,

tempo em que trabalhador ficava rico.
Sou do tempo da Casa Cavê, do taco com cera Parquetina, dos discursos do Presidente Gegê.
Sou do tempo do óleo de linhaça, andei na Maria Fumaça.
Li muito a revista Cruzeiro, escrevi com caneta- tinteiro.
Separei o joio do trigo, vi muito vigarista na cadeia.
Só não fui garçon da Santa-Ceia.
Também não sou assim tão antigo.

Desconheço o autor (ou autora).

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

fevereiro 19, 2010

agosto 24, 2008

ONDE ANDARÁ O MEU DOUTOR? ( procura-se o autor )


Crtl - A

Crtl + A
Altera o tamanho
da letra


Hoje acordei sentindo uma dorzinha,

aquela dor sem explicação, e uma palpitação,

resolvi procurar um doutor,

fui divagando pelo caminho...

lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco

e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...

o Meu Doutor que curava a minha dor,

não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,

que me transmitia paz e calma!


Chegando à recepção do consultório,

fui atendida com uma pergunta:

QUAL O SEU PLANO? O MEU PLANO?

Ah, o meu plano é viver mais e feliz!

é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio

e preencher esse vazio que sinto agora!

Mas a resposta teria que ser outra...


o MEU PLANO DE SAÚDE...

Apresentei o documento do dito cujo

já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...

Quando fui chamada corri apressada,

ia ser atendida pelo Doutor,

aquele que cura qualquer tipo de dor,

entrei e o olhei, me surpreendi,

rosto trancado, triste e cansado...

será que ele estava adoentado?

é, quem sabe, talvez gripado

não tinha um semblante alegre,

provavelmente devido à febre...

dei um sorriso meio de lado e um bom dia...

sobre a mesa, à sua frente, um computador,

e no seu semblante a sua dor,

o que fizeram com o Doutor?


Quando ouvi a sua voz de repente:

O que a senhora sente?

Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...

parecia mais doente do que eu, a paciente...

Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação

e esperei a sua reação,

vai me examinar, escutar a minha voz

auscultar o meu coração...

para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:

peça autorização desses exames para conseguir a realização...

quando li quase morri...


TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA,

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

e CINTILOGRAFIA!


ai, meu Deus! que agonia!

eu só conhecia uma tal de abreugrafia...

só sabia o que era ressonar (dormir),

de magnético eu conhecia um olhar...

e cintilar só o das estrelas!

estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?

iria morrer assim ao léu?

naquele instante timidamente pensei em falar:

terá o senhor uma amostra grátis

de calor humano para aquecer esse meu frio?

que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,

o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que

A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.


Olhe para mim...

bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!

médico não é sacerdote...

tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...

mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!

preciso que o senhor me escute, ausculte

e examine!

estou sentindo falta de dizer até aquele 33!

não me abandone assim de uma vez!

procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!

alimente a minha mente e o meu coração...

me dê, ao menos, uma explicação!

o senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!

gosto de pisar na areia e seguir em frente

deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,

estarei errada?

ou estarei com o verme do amarelão?

existirá umas gotinhas de solução?

será que já existe vacina contra o tédio?

ou não terá remédio?

que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!

cadê o Sccot, aquele da Emulsão?

que tinha um gosto horrível mas me deixava forte

que nem um Sansão!

e o Elixir? Paregórico e categórico,

e o chazinho de cidreira,

que me deixava a sorrir sem tonteiras?

será que pensei asneiras?

Ah! meu querido e adoentado Doutor!

sinto saudades

dos seus ouvidos para me escutar,

das suas mãos para me examinar,

do seu olhar compreensivo e amigo...

do seu pensar...

o seu sorriso que aliviava a minha dor...

que me dava forças para lutar contra a doença...

e que estimulava a minha saúde e a minha crença...

sairei daqui para um ataúde?

preciso viver e ter saúde!

por favor, me ajude!

Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,

caso contrário chegaremos ao fim...

porque da consulta só restou uma requisição

digitada em um computador

e o olhar vago e cansado do Doutor!

precisamos urgente dos nossos médicos amigos,

a medicina agoniza...

ouço até os seus gemidos...

Por favor, tragam de volta o meu Doutor!

estamos todos doentes e sentindo dor...

e peço, para o ser humano, uma receita de calor,

e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!

ONDE ANDARÁ O MEU DOUTOR? ( procura-se o autor )


Crtl - A

Crtl + A
Altera o tamanho
da letra


Hoje acordei sentindo uma dorzinha,

aquela dor sem explicação, e uma palpitação,

resolvi procurar um doutor,

fui divagando pelo caminho...

lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco

e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...

o Meu Doutor que curava a minha dor,

não apenas a do meu corpo mas a da minha alma,

que me transmitia paz e calma!


Chegando à recepção do consultório,

fui atendida com uma pergunta:

QUAL O SEU PLANO? O MEU PLANO?

Ah, o meu plano é viver mais e feliz!

é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio

e preencher esse vazio que sinto agora!

Mas a resposta teria que ser outra...


o MEU PLANO DE SAÚDE...

Apresentei o documento do dito cujo

já meio suado, tanto quanto o meu bolso, e aguardei...

Quando fui chamada corri apressada,

ia ser atendida pelo Doutor,

aquele que cura qualquer tipo de dor,

entrei e o olhei, me surpreendi,

rosto trancado, triste e cansado...

será que ele estava adoentado?

é, quem sabe, talvez gripado

não tinha um semblante alegre,

provavelmente devido à febre...

dei um sorriso meio de lado e um bom dia...

sobre a mesa, à sua frente, um computador,

e no seu semblante a sua dor,

o que fizeram com o Doutor?


Quando ouvi a sua voz de repente:

O que a senhora sente?

Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...

parecia mais doente do que eu, a paciente...

Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação

e esperei a sua reação,

vai me examinar, escutar a minha voz

auscultar o meu coração...

para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse:

peça autorização desses exames para conseguir a realização...

quando li quase morri...


TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA,

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

e CINTILOGRAFIA!


ai, meu Deus! que agonia!

eu só conhecia uma tal de abreugrafia...

só sabia o que era ressonar (dormir),

de magnético eu conhecia um olhar...

e cintilar só o das estrelas!

estaria eu à beira da morte? de ir para o céu?

iria morrer assim ao léu?

naquele instante timidamente pensei em falar:

terá o senhor uma amostra grátis

de calor humano para aquecer esse meu frio?

que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor,

o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que

A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.


Olhe para mim...

bem verdade que o juramento dele está ultrapassado!

médico não é sacerdote...

tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...

mas, por favor, me olhe, ouça a minha história!

preciso que o senhor me escute, ausculte

e examine!

estou sentindo falta de dizer até aquele 33!

não me abandone assim de uma vez!

procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!

alimente a minha mente e o meu coração...

me dê, ao menos, uma explicação!

o senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim!

gosto de pisar na areia e seguir em frente

deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida,

estarei errada?

ou estarei com o verme do amarelão?

existirá umas gotinhas de solução?

será que já existe vacina contra o tédio?

ou não terá remédio?

que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!

cadê o Sccot, aquele da Emulsão?

que tinha um gosto horrível mas me deixava forte

que nem um Sansão!

e o Elixir? Paregórico e categórico,

e o chazinho de cidreira,

que me deixava a sorrir sem tonteiras?

será que pensei asneiras?

Ah! meu querido e adoentado Doutor!

sinto saudades

dos seus ouvidos para me escutar,

das suas mãos para me examinar,

do seu olhar compreensivo e amigo...

do seu pensar...

o seu sorriso que aliviava a minha dor...

que me dava forças para lutar contra a doença...

e que estimulava a minha saúde e a minha crença...

sairei daqui para um ataúde?

preciso viver e ter saúde!

por favor, me ajude!

Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim,

caso contrário chegaremos ao fim...

porque da consulta só restou uma requisição

digitada em um computador

e o olhar vago e cansado do Doutor!

precisamos urgente dos nossos médicos amigos,

a medicina agoniza...

ouço até os seus gemidos...

Por favor, tragam de volta o meu Doutor!

estamos todos doentes e sentindo dor...

e peço, para o ser humano, uma receita de calor,

e para o exercício da medicina uma prescrição de amor!

agosto 09, 2008

Saudade - Antonio Carlos da Silva(Carlito)





SAUDADE

De ti, meu pai, ilustre desconhecido,

Que em meus verdes anos trocou de dimensão

Guardo poucas lembranças, quase nada,

Do nosso falso convívio em mínimos momentos.


Mágoas? Não as tenho. Não consigo!

Apenas uma insípida constatação

De que tua ausência em todos esses anos

Deixou alguma coisa inacabada...


Tua cara vermelha, a barba por fazer

E o cheiro da cachaça (tua amiga!)

São as poucas memórias (inefáveis!)

Que têm me acompanhado pela vida.


Herói? Talvez nem tanto!

Foste um referencial divinizado,

Exacerbado, quem sabe,

Pela quase indolor carência.


Aguardo, sem a ânsia doentia,

Pelo nosso reencontro já traçado,

Quando falaremos e ouviremos

Nossas verdades um ao outro.


E que eu possa nesse dia, frente a frente,

Voltar a sentir a tua barba

Arranhando meu rosto já barbado

Acompanhados de uma cachacinha (of course!)

Carlito,

Junho de 2004.